Do ‘Pão de Forma’ à T6.1: os 70 anos da Volkswagen Transporter

Texto: Carlos Moura
Data: 3 Abril, 2020

O veículo comercial com maior longevidade do mercado é a Volkswagen Transporter, que já conta com 70 anos de produção nas suas seis gerações.

Lançada há 70 anos, a Volkswagen Transporter tornou-se no veículo comercial com maior longevidade em produção, tendo as suas seis gerações registado mais de 13 milhões de unidades vendidas. Depois do “Carocha” (Type 1), a Transporter foi o segundo modelo mais vendido em todo o mundo com a marca Volkswagen, cuja primeira geração ficou conhecida entre nós como “Pão de Forma”.
O conceito original consistia num veículo comercial compacto com a máxima utilização do espaço: motor boxer na traseira, condutor à frente e muito espaço entre ambos. Estas são as caraterísticas da primeira geração da Transporter (T1).

O primeiro protótipo foi apresentado no final de 1949 e a primeira unidade produzida em série sairia da linha de montagem da fábrica de Wolfsburg a 8 de março de 1950. O motor e a caixa de velocidades eram oriundos do ‘Carocha’, mas a carroçaria, incluindo um subclasses reforçado, era inteiramente nova. O ‘Pão de Forma’ tinha uma capacidade de carga de 750 quilogramas e o acesso ao compartimento reservado à mercadoria era efetuado através de portas em asa ou, mais tarde, por uma porta deslizante no lado do passageiro.

O T1 foi lançado como furgão de mercadorias, furgão de passageiros vidrado e como kombi de oito lugares. O “Pão de Forma” mais famoso surgiu em 1951: o “Micro Bus De Luxe” – apelidado informalmente como ‘Samba bus’ – totalmente vidrado, teto vidrado e um párassol dobrável. Um ano depois apareceria a versão pick-up, um tipo de camião da década de ’50 do século passado. A gama continuaria a ser alargada com a introdução de novas versões, destacando-se a autocaravana com base num módulo de campismo fornecido pela Westfalia.

Em 1956, a produção foi transferida para uma nova fábrica em Hannover para satisfazer o aumento constante da procura e no ano seguinte também começou a ser fabricado no Brasil. Até ao lançamento do seu sucessor em 1967, foram vendidas 1,9 milhões de unidades deste modelo com pára-brisas dividido e ‘nariz’ distintivo.

Segunda geração

O T2 levou a utilidade da T1 para uma nova era e rapidamente se tornou numa ferramenta multifunções. As alterações visuais na segunda geração da Transporter incluiram uma nova secção dianteira, agora sem o ‘V’ típico do ‘Pão de Forma’, mas com um pára-brisas curvado e uma grelha para tomada de ar na parte inferior. A porta lateral deslizante era agora de série no T2. Como autocaravana da Westfalia com tecto extensível, tornou-se mais num ‘globetrotter’ do que nunca. Em 1972, surgiu mesmo uma versão elétrica que podia ser conduzida com emissões zero locais.
Na fábrica de Hannover foram construídos 2,14 milhões de veículos até à sua substituição pela T3 em 1979. A produção prosseguiu na América do Sul e na América do Sul. A fábrica da Volkswagen de São Paulo detém o recorde para o período mais longo de produção: as últimas 1200 unidades do T2 – ’56 Anos Kombi – Last Edition’ foram fabricadas no final de 2013 na Volkswagen do Brasil.

Terceira geração

A T3 manteve algumas das caraterísticas da geração anterior, mas adotou tecnologias mais modernas, designadamente na área da segurança passiva. A carroçaria mais larga, com o mesmo comprimento e largura, oferecia mais espaço para os passageiros e para a mercadoria. A arquitetura de motor boxer contribuiu igualmente para uma maior disponibilização de espaço. Em 1981 surgiria o primeiro motor diesel. Além disso, o novo chassis proporcionava um comportamento semelhante ao de um automóvel.
Em 1985, a Volkswagen introduziu outras inovações. Os motores a gasolina receberam conversores catalíticos e os motores a gasóleo um turbocompressor. A gama também foi enriquecida com novas versões de tração às quatro rodas com uma embraiagem viscosa entre as rodas dianteiras e traseiras. A versão California chegaria em 1988, maximizando o espaço para utilização como autocaravana.
Quando a última T3 deixou a linha de montagem da fábrica de Hannover tinham sido produzidas 1,3 milhões de unidades, incluindo das novas versões Caravelle e Multivan. A produção manteve-se na África do Sul até 2005, aumentando a produção total para 1,4 milhões de unidades.

Quarta geração

Após 40 anos de tração traseira e motor boxer, a Volkswagen decidiu alterar o conceito. A T4 passava a receber motor dianteiro e tração dianteira. Esta transição obrigou a mudar tudo: design, suspensão, motores e espaço. A quarta geração da Transporter disponibilizava mais espaço, designadamente na traseira onde o motor ainda ‘roubava’ algum volume útil de carga traseira. A nova suspensão independente traseira ocupava apenas algum deste espaço. A nova configuração do motor e o novo chassis proporcionavam um comportamento dinâmico mais semelhante ao de um automóvel. Na dianteira, a T4 cresceu para oferecer espaço suficiente para motores de quatro e cinco cilindros em linha, montados transversalmente, e além disso garantia uma melhor proteção em caso de embate.
A Volkswagen Veículos Comerciais também disponibilizava, pela primeira vez, duas distâncias entre-eixos na Transporter. A Multivan aproveitou esta vantagem de espaço em seu favor, assim como a nova California. Entretanto, a Volkswagen Veículos Comerciais tornou-se uma marca independente no seio do Grupo Volkswagen em 1995. A Transporter foi sujeita a uma profunda renovação em 1996. Uma das grandes alterações consistiu na introdução, pela primeira vez, de motores de cinco cilindros, com turbocompressor e injeção direta (TDI) num dos veículos comerciais da marca. A secção dianteira possibilitou igualmente a instalação de um motor a gasolina VR6.
Quando terminou a produção da quarta geração em 2003 tinham sido fabricadas 1,9 milhões de unidades do furgão de mercadorias, kombi, cabina dupla, pick-up, chassis-cabina simples e dupla, Caravelle, Multivan e California.

Quinta geração

A quinta geração da Transporter manteve o conceito de design da sua antecessora, mas as linhas mais distintivas da carroçaria da T5 transmitiam uma imagem mais potente. O interior foi revisto para melhorar a ergonomia. O posto de condução passou a dispor de um volante ajustável em altura e inclinação, enquanto a alavanca da caixa de velocidades passava a estar localizada na consola central. Como a maioria da versões da T5 Multivan tinham duas portas laterais deslizantes, a mesa dos passageiros traseiros foi mudada da parede esquerda para o meio do veículo e estava assente em calhas no chão para permitir as sua movimentação.
A T5 recebeu novos motores turbodiesel com injetor-bomba e dois propulsores a gasolina, incluindo um quatro cilindros e um V6. O sistema de tração integral 4MOTION também era totalmente novo e incluía uma embraiagem multidiscos regulada eletricamente entre os eixos dianteiro e traseiro. A marca também desenvolveu edições especiais como a California NoLimit, a Multivan PanAmericana e Multivan Biker. Em outubro de 2010, a Volkswagen assinalou o 25º aniversário da Multivan com a Edition 25. Até final de 2015 saíram da linha de montagem da fábrica de Hannover 1,5 milhões de unidades da T5.

Sexta geração

A sexta geração da Transporter seria lançada em 2015, oferecendo novos motores, mais sistemas de assistência à condução e um novo programa de infotainment. A T6 distingue-se exteriormente pela frente redesenhada e uma traseira com um design também revisto. Outra das novidades encontrava-se por baixo do capot: quatro novos motores TDI e dois TSI com sistema Start-stop.
Quatro anos depois, a T6 seria atualizada, marcando a entrada deste modelo na era da digitalização. O tablier da Transporter 6.1 passou a estar disponível com um painel de instrumentos totalmente digital e com novos sistemas de infoentretenimento conectados interativamente através de um e-SIM. Por outro lado, a nova direção assistida eletromecânica também possibilitou a a disponibilização de funções de condução semi-autónoma. A gama também passou a contar com motores TDI mais eficientes.
Após 70 anos de bons e leais serviços no setor dos transportes e da logística, a Transporter está preparada para enfrentar os desafios da distribuição, que também vai passar pela eletrificação. A marca já se está a preparar para a produção do ID.Buzz na fábrica de Hannover, que começará a sair da linha de montagem em 2022.

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