“A visão da Laso Transportes é Europeia” – Rui Silva, diretor-geral

Texto: Carlos Moura / Fotografia: José Bispo
Data: 13 Abril, 2018

Operador de referência na área dos transportes especiais, a Laso Transportes tem vindo a apostar no mercado internacional para continuar a crescer e a investir em novos equipamentos e instalações, incluindo uma nova sede.

Com uma frota constituída por mais de 535 unidades de tração e 1 500 equipamentos no total, a Laso Transportes é um dos principais operadores Europeus de transportes especiais. A empresa resultou da fusão de dois dos principais operadores portugueses que se dedicavam a esta atividade, a Transportes Lamarão e a Solenha, e teve como objetivo ganhar escala nacional e internacional. “Ambas se dedicavam ao transporte especial e partilhavam 80% dos clientes”, refere Rui Silva, Diretor Geral da Laso Transportes. “Um cliente que trabalhava com uma empresa também o fazia com a outra. Se as duas empresas partilhavam clientes e utilizavam a mesma tipologia de veículos fazia todo o sentido oferecer ao cliente uma maior dimensão de frota e, por conseguinte, custos mais competitivos em troca da rentabilização dos meios”.

A nova empresa, que resultou dessa fusão, manteve-se fiel ao “core business” e continuou a exercer atividade nos transportes especiais com a utilização de veículos abertos em áreas como os componentes eólicos, grandes transformadores, construção civil, metalomecânica, maquinaria nova e usada, produtos siderúrgicos etc. independentemente do país onde as operações tenham inicio ou destino ou sejam realizadas.

A concentração permitiu a obtenção de economias de escala, a rentabilização das unidades de transporte, com a diminuição do número de quilómetros em vazio, e uma melhor cobertura territorial da frota. “Tornámo-nos mais conhecidos, mais competitivos e fortalecemos a nossa marca. Isso permitiu a captação de mais negócio em novos e atuais clientes”, refere o entrevistado.

Crescimento sustentado

A empresa tem vindo a crescer de forma sustentada, investindo em novos equipamentos, admitindo mais colaboradores, na construção e melhoramento das instalações e na abertura de novas delegações. “Como todas as empresas, também tivemos algumas dificuldades que, apesar de ultrapassadas, nos causaram alguma estagnação e, por conseguinte, algum desinvestimento em meios”, conta o diretor geral da Laso Transportes. “Registou-se uma diminuição da frota, por razões estratégicas e porque se entendeu que o mercado não comportava tantos veículos, e aproveitámos o facto de alguns deles estarem no final da sua vida útil. Por isso, decidimos optar por desinvestimento, e o mercado deu-nos razão”.

Ultrapassado este período de crise, que todas as empresas viveram, a economia recuperou, as empresas voltaram a crescer e a fazer investimentos. “O nosso objetivo é continuar a crescer”, salienta Rui Silva. “Temos mantido os nossos compromissos: financeiros, comerciais e operacionais. A nossa estrutura está organizada, sendo necessário continuar a dar continuidade à promoção de melhorias”, adianta.

Resultados positivos em 2017

Relativamente ao ano de 2017, a empresa alcançou “resultados positivos, embora ligeiramente abaixo dos objetivos estabelecidos, em particular no que se refere ao volume de vendas.”, assinala o entrevistado. “O volume de vendas continua em crescente, comparativamente com anos anteriores, e manteve-se propício a esse crescimento tracionando o aumento de frota. E como tal, retomámos o investimento, em particular na frota, que cresceu na ordem dos 35%, e queremos dar continuidade ao crescimento e ao investimento assim como a melhoria da nossa qualidade de serviço quer a nível interno quer externo.”, acrescenta.

Uma das preocupações da Laso Transportes consiste precisamente na qualidade e serviço ao cliente. Para o efeito tem vindo a investir na certificação do sistema de gestão da qualidade, pela norma ISO 9001 e, atualmente, está a iniciar um processo para a certificação em higiene e segurança no trabalho. Este deverá estar concluído no final de 2018 ou no início de 2019. “Entendemos que a aposta e diferenciação pela qualidade é um beneficio e não um custo, tal como o investimento em inovação, em criatividade e na formação transversal a toda a organização.”, assegura o entrevistado. “Obviamente que tem custos associados, exige tempo e disponibilidade, mas existe uma outra vertente que é o beneficio e a procura da melhoria em conseguir uma empresa estruturada, com procedimentos definidos e hierarquias conhecidas internamente. Todos sabemos qual o caminho para onde vamos, os objetivos que temos de superar e como devemos proceder para os atingir. “

Escala ibérica e internacional

A estratégia da Laso Transportes tem passado, igualmente, pelo mercado externo. “A dimensão da empresa já não se adapta à realidade do mercado nacional. Apesar de Portugal continuar a ser bastante importante, e onde temos bastante frota posicionada, a visão da Laso é Europeia e, a partir daí, chegar a outros pontos do Globo onde já estamos, também”. Neste momento Portugal e Espanha representam 56%  do volume de negócios da empresa e o mercado internacional os restantes 44%. “Os nossos mercados tradicionais estão no centro da Europa, designadamente Holanda, Bélgica, Alemanha, norte de França, Dinamarca e Inglaterra. Os maiores fluxos são entre estes Países. Todavia, e com menos regularidade, também operamos em Países como a Croácia, Suécia, Bulgária, Roménia Grécia entre outros.”, afirma Rui Silva. “Procuramos estar sempre próximo dos nossos clientes e acompanhá-los”. Nesse âmbito, a empresa tem vindo a instalar-se noutros países como, por exemplo, Moçambique, Marrocos, e este Ano no Senegal prevendo-se, também, a entrada noutros países como por Exemplo Tunísia, Egipto entre outros.

Apesar de ser especialista em transportes especiais, a Laso Transportes também se dedica ao transporte “standard”, oferecendo aos clientes soluções completas. “Os transportes de grandes dimensões também necessitam de ser complementados com transportes convencionais porque nem tudo são grandes volumes e porque, também, a mercadoria mais pequena necessita de ser transportada.”, explica o entrevistado. “Se o cliente tiver necessidade de transportar uma peça de grandes dimensões, como aconteceu recentemente com um transformador de 450 toneladas, esse mesmo cliente também tem necessidade de efetuar a movimentação de outros mais pequenos e de vários outros componentes que estão associados a esses equipamentos. Assim, conseguimos oferecer a totalidade da prestação de serviços não tendo o cliente necessidade de contactar outro operador, já que podemos oferecer um serviço  “chave na mão”. Por esse motivo, a nossa frota também inclui várias tipologias de veículos com várias características como, por exemplo, camiões com grua, porta contentores, semirreboques de lona “tautliner”, vária tipologia de porta máquinas para diferentes pesos e dimensões entre outros. Assim, conseguimos fechar o ciclo, oferecendo  a totalidade da prestação de serviços e proporcionando uma mais-valia ao cliente”.

Investimento em frota

Em termos de frota, a Laso Transportes procura investir em equipamentos topo de gama e que melhor se adaptem à realidade do mercado e às necessidades dos clientes. A empresa renova, em média, entre 30 a 50 unidades por ano. “Alguns equipamentos têm de ser substituídos porque atingem o limite da sua vida útil e apresentam custos de manutenção que não justificam a sua permanência na frota”, refere o responsável. Por outro lado, a empresa também procura ter ao seu dispor a mais recente tecnologia de ponta, em particular, equipamentos específicos que sirvam alguns nichos de mercado que, para nós, são estratégicos: “Em termos de semirreboques para o transporte de pás eólicas por exemplo, a Laso terá o dobro da frota existente  na Península Ibérica nessa tipologia de equipamentos, e de ultima geração”, garante o responsável. “. Por outro lado, a legislação tem vindo a tornar-se cada vez mais exigente e, em alguns países europeus, necessitamos de equipamentos mais flexíveis para conseguirmos responder à realidade do mercado. O nosso investimento é contínuo, para corresponder as exigências que o mercado solicita, e sempre com uma visão muito profunda para as caixas de carga, já que são elas que transportam as cargas. Por acréscimo, queremos, também, ter a melhor tecnologia ao nível dos tratores: menos poluentes, com melhores condições para os motoristas, mais seguros e económicos”. No que se refere às unidades de tração, a preferência da Laso Transportes vai para as marcas Mercedes-Benz e Volvo porque, segundo Rui Silva, são aquelas “que melhores resultados têm dado ao nosso negócio a todos os níveis, designadamente em termos de custos de manutenção, disponibilidade, qualidade de serviço de após-venda, economia e comportamento nas operações“.

Atualmente, a idade média da frota da Laso Transportes situa-se entre os cinco e os seis anos, embora algumas unidades de transporte possam ter mais. “Alguns equipamentos são tão específicos que não é possível fazer a sua substituição ao final de quatro ou cinco anos, como, por exemplo, tratores de quatro eixos com grua, reboques modulares entre outros.”, explica o entrevistado.

No que se refere à nova frota, designadamente de tração, a Laso Transportes privilegia contratos de manutenção com as marcas. “A manutenção não é o nosso negócio. O nosso negocio é a prestação de serviços de transporte rodoviários de mercadorias”, salienta Rui Silva. O mesmo princípio não se aplica aos semirreboques, cuja manutenção é realizada a 99% nas oficinas da empresa. “Necessitamos de manutenção própria porque os nossos equipamentos, nomeadamente os reboques, são muito específicos e exigem equipas dedicadas e especializadas”, afirma o Diretor Geral da Laso Transportes. “Além disso, os equipamentos para transportes de grandes dimensões passam por várias alterações de composição de eixos, entre outros acessórios, e esse trabalho tem de ser realizado por pessoas que os conhecem e que possuem um know how adquirido pela experiencia dos anos. Sobre os veículos ligeiros de apoio a actividade, os chamados “carro piloto”, quando terminam os contratos de manutenção também são assistidos internamente pelos nossos mecânicos. As reparações consideradas “ligeiras”, pela equipa de manutenção, são efetuadas internamente. Optamos, primeiro, por fazer um diagnóstico de análise à tipologia de reparação/intervenção necessária, decidindo os responsáveis da manutenção caso a caso sobre qual a melhor opção” . Nas três unidades de manutenção – Casais da Serra, Cacia e Santa Cruz do Bispo – a Laso Transportes conta com 60 profissionais entre mecânicos, serralheiros, pintores e eletricistas.

Relativamente ao ano de 2018, a Laso Transportes tem previsto um investimento de dez milhões de euros só em equipamentos. O investimento na nova Sede ascende a cerca 1,5 Milhões de Euros e ficará localizada em Casais da Serra, junto à unidade de manutenção que a empresa tem naquele local. “O objetivo da mudança tem a ver com a gestão mais centralizada e com a possibilidade de se acompanhar e estar mais próximo das operações”, conclui o responsável.

 

NÚMEROS

+ de 40 milhões de quilómetros percorridos pela frota em 2017.

535 unidades de tração.

+ de 1 500 equipamentos na totalidade.

35% de aumento da dimensão da frota em 2017.

10 milhões de euros de investimento em novos equipamentos para 2018.

Artigo publicado originalmente na Turbo Comerciais 26 – Fevereiro / Março de 2018

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